LOUISA ROGERS“SOU UMA MEDITADORA MEIA-BOCA, MAS AINDA ASSIM VEJO
BENEFÍCIOS”SEXTA FEIRA 17 JULHO DE 2026 A
meditação a longo prazo pode gerar mudanças sutis, porém duradouras.
Descubra
como décadas de meditação transformaram a vida de uma mulher.
A
prática ajudou ela a se tornar menos reativa, a se comunicar com mais sabedoria
e a lidar com seus sentimentos com mais leveza.
Às 6h20
da manhã, todos os dias da semana, levo meu laptop para a cozinha, onde
participo de um grupo diário de meditação online chamado Contemplação Matinal.
Somos cerca de 65 pessoas
dos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.
Eu
participo pelo Zoom de Eureka, na Califórnia.
Nossa
hora juntos é dividida em três partes:
Um
terço de meditação silenciosa, um terço compartilhando um breve trecho ou
citação fornecida pelo facilitador daquela manhã e um terço oferecendo apoio
uns aos outros, bem como a pessoas fora da sala do Zoom
— incluindo familiares, amigos e
desconhecidos.
Sou uma
meditadora meio desleixada, meio sem muita dedicação.
Passo
por períodos em que medito diariamente e outros em que fico meses sem meditar.
Mesmo
assim, a meditação faz parte da minha vida há mais de 30 anos.
No
início dos anos 90, meu marido entrou para um grupo Zen e, alguns meses depois,
me perguntou se eu gostaria de meditar com ele em casa três vezes por semana.
De
manhã cedo, sentávamos em grandes zafus (almofadas) pretas na nossa sala de estar por
20 minutos e depois caminhávamos bem devagar pelo caminho de tijolos que
circundava o nosso jardim.
Não
moramos mais naquela casa, mas ainda me lembro da alegria que sentia ao passar
pelas nandinas rosadas ao longo do caminho.
Desde
então, perdi meu pai e uma irmã, mudei de casa duas vezes e comprei uma casa no
México.
Em
meio a todas as idas e vindas da minha vida, a única constante tem sido minha
prática de meditação.
Frequentemente
me encontro sentada em silêncio sobre uma almofada ou uma cadeira, fazendo o
que quer que minha mente faça, experimentando diferentes formas:
Do Zen e Vipassana, uma forma
ocidentalizada de meditação budista, à “oração centrante”, uma meditação com influência cristã.
Embora
cada estilo seja ligeiramente diferente, eles compartilham o objetivo comum de
ajudar você a evitar viver uma vida sem rumo.
Não
espere resultados dramáticos, mas…
AS
TRANSFORMAÇÕES SUTIS E DURADOURAS DA PRÁTICA
Não
exijo muito da meditação.
Não
espero epifanias espirituais, iluminação, uma vida sem estresse, ou mesmo que a
meditação melhore a qualidade de um determinado dia.
Essas
recompensas ocasionalmente acontecem, mas não descobri que esperar que
aconteçam seja útil.
E, no
entanto… certa manhã, enquanto contemplava em silêncio os rostos dos meus
colegas meditadores na tela do computador, percebi que anos de meditação me
transformaram de diversas maneiras.
Uma das
mudanças que notei foi que me tornei menos impulsiva.
Um pensamento frequente que me ocorre durante a meditação é:
“
Preciso fazer isso!”.
Lá
estou eu, sentada em silêncio, quando uma repentina sensação de urgência me
invade.
Droga!
Acho
que não desliguei a cafeteira e estou com medo de que ela superaqueça.
Ou
esqueci de comprar detergente.
Agora,
convivo com essa ansiedade familiar, incômoda e repentina, sem fazer nada para
que ela desapareça.
Depois
de alguns minutos, minha mente divaga em outra direção.
As
sombras na parede à minha frente mudam de padrão, e o sino toca, sinalizando o
fim da meditação e o retorno ao grupo.
O
tempo passou.
Posso
ainda sentir que é importante tomar uma determinada atitude.
Ou
não.
Mas
não sentiria a necessidade de agir imediatamente.
O
que parecia tão urgente, afinal, não era.
A
urgência constante não é um estado saudável.
Durante
a meditação, observo a intensidade que surge em mim e pratico não agir de
acordo com ela.
Essa
disciplina me beneficia também no meu dia a dia.
Outra
mudança que fiz foi no meu estilo de comunicação.
Eu
costumava acreditar piamente que ser direta e franca era a maneira correta de
ser, superior a todas as outras, e que eu era a personificação dessa qualidade.
Acreditava
ser uma pessoa melhor por ter a coragem de dizer às pessoas coisas que eu
achava que elas precisavam ouvir.
Me
arrepio só de pensar nas coisas que já disse em nome da honestidade.
Ainda
valorizo a franqueza.
E
ainda me manifesto — exceto quando não o faço.
Às
vezes, calo-me e não digo nada; outras vezes, escuto e incentivo a pessoa a se
expressar; outras vezes ainda, reflito
mais antes de dar minha opinião.
Como
tomei consciência dos meus padrões por meio da meditação, agora tenho mais
opções à minha disposição.
UMA
EVOLUÇÃO INCREMENTAL
Uma
terceira forma pela qual mudei diz respeito a como reajo aos meus sentimentos.
Cresci
na era dos grupos de encontro e da terapia gestalt.
Os
sentimentos eram a minha religião e, como qualquer seguidor devoto, eu venerava
o deus que havia criado.
Eu
fui magoada!
Eu
fui maltratada!
Você
precisa saber disso!
Honro
meus sentimentos.
Como
crianças pequenas, eles merecem atenção e respeito.
Se
eu os ignorar, podem se intensificar de maneiras prejudiciais.
Eles
são importantes.
Mas
não são tão importantes assim.
São
apenas sentimentos.
Só
isso.
Quando
medito, um sentimento costuma surgir no teatro da minha mente.
Para
mim, frequentemente é o ciúme.
Nada
que eu faça o fará desaparecer.
Então,
sento-me ali e sinto o ciúme percorrendo meu corpo em toda a sua intensidade
vertiginosa, em todas as suas nuances.
Eu
o estudo; eu o exploro de perto.
O que é isso que está fazendo meu coração bater mais rápido?
Enquanto
investigo o ciúme — ou qualquer outra coisa que ocupe minha mente — uma alquimia
acontece: ele se transforma, muda
de forma.
Minutos depois, me pergunto:
Para onde foi?
Não
é que o sentimento tenha desaparecido completamente, sem deixar vestígios, mas
ele adquire uma qualidade diferente.
Os
sentimentos se transformam.
Vêm,
vão.
Eu
os percebo, mas já não os levo tão a sério, e por isso agradeço à meditação.
Na minha
experiência, a meditação é um processo gradual, que
aos poucos vai desgastando minhas defesas mais rígidas e me transformando, às
vezes até mesmo contra a minha vontade.
Trinta
anos atrás, quando eu tinha 44, jamais imaginaria que essas mudanças
aconteceriam.
Provavelmente,
eu nem as desejaria , tamanha era o meu apego à persona que eu tinha naquela
época.
Agora,
vendo como evoluí, sou grata.
E
não vejo motivo para parar de meditar.
Não
consigo imaginar quais mudanças ainda estão por vir, mas
estou ansioso para descobrir.
Canal: Louisa Rogers
Fonte: https://www.spiritualityhealth.com/half-assed-meditator-benefits
Fonte secundária: https://eraoflight.com/2026/07/13/im-a-half-assed-meditator-but-i-still-see-benefits/
Tradutor: Fernando Gomes – fernando.gomeslf@outlook.com
https://www.sementesdasestrelas.com.br/artigos/louisa-rogers-sou-uma-meditadora-meia-boca-mas-ainda-assim-vejo-beneficios/





