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MANEIRAS ÚTEIS DE PARAR DE TRABALHAR DEMAIS E SE SOBRECARREGAR
SABADO, 25 DE ABRIL DE 2026
DESCUBRA
COMO REEQUILIBRAR UMA VIDA REPLETA DE TAREFAS INTERMIVÁVEIS
O horário de verão me prejudica todo outono (NT. a autora deste texto não mora no
Brasil).
Conforme os dias ficam mais curtos a sensação de tempo
disponível diminui.
Todo ano me comprometo a respeitar os sinais (nem tão sutis) da
Terra, para descansar e rejuvenescer.
E na maioria dos anos, falho.
À medida que minha lista de tarefas aumenta e minha pontualidade
diminui tudo começa a desmoronar ao mesmo tempo.
Meus projetos de escrita ficam para trás, a lição de casa dos
alunos para corrigir se acumula e os cartões de Natal ficam intocados.
Não me lembro da última vez que conversei com alguém sobre algo
que não fosse relacionado ao trabalho.
Até mesmo meu trabalho voluntário em defesa dos animais parece
avassalador.
O que antes era um alívio do dia de trabalho agora é o trabalho
da minha vida.
Vivencio um ciclo emocional previsível de culpa, vergonha e
inúmeras desculpas às pessoas ao meu redor.
“Eu
vou recuperar o atraso, eu sei que vou!”
Por fim, meu profundo conhecimento interior — talvez
impulsionado por uma réstia de graça — finalmente aceita a verdade: não
conseguirei alcançar o ritmo.
Algo precisa ser deixado para trás.
Uma recalibração precisa começar.
E é aí que a recuperação se torna possível.
ESTAMOS
EM UMA EPIDEMIA DE CORRERIA
Costumamos descrever a correria como uma falha pessoal —
planejamento ruim, falta de disciplina —, mas também é uma epidemia cultural.
Embora os norte-americanos não trabalhem mais horas do que
qualquer outra nação (a
Colômbia lidera atualmente), estamos entre o terço superior, de acordo com a Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A Microsoft
Research relata que o trabalho remoto, embora ofereça flexibilidade,
estendeu a jornada de trabalho média durante e após a pandemia, já que os
trabalhadores remotos usam as horas da noite como uma “janela
produtiva para colocar o trabalho em dia em silêncio”.
Também estamos trabalhando mais nos fins de semana.
As conversas digitais interrompem todas as horas do dia, levando ao que eles chamam de “cultura de resposta
constante”.
Além disso, a rápida adoção da IA levou ao que a Microsoft agora chama de “o caos da jornada de trabalho
infinita”.
A vida de trabalho remoto, com seus limites imprecisos, tem alimentado o aumento das taxas de burnout, sendo a
insegurança no emprego outro fator importante.
A pesquisa “Work
in America” da Associação
Americana de Psicologia relata que 38% dos americanos acreditam que seus
relacionamentos pessoais estão
sofrendo devido ao estresse no trabalho, e 44% têm dificuldade para dormir.
Então, aparentemente, não sou só eu que estou lutando para dar
conta de tudo.
Somos uma nação de pessoas que oscilam constantemente entre
“Estou bem!” e “Estou me afogando!”, sem saber como sair desse trem
desgovernado.
COMECE
A ESTABELECER LIMITES SIMPLES
Em algum momento o corpo e o espírito vão intervir.
A mudança começa não com um grande gesto, mas com uma única
pergunta honesta:
O que eu consigo encaixar na minha vida de forma realista?
Comece renegociando as expectativas — as suas e as dos outros.
Pratique
dizer:
“Minha disponibilidade está menor agora; podemos ajustar o
cronograma?” ou “Gostaria
de ajudar, mas não posso assumir essa responsabilidade agora.”
A necessidade de agradar aos outros muitas vezes se disfarça de
gentileza, mas, na realidade, é um lento abandono de si mesmo.
Tente
substituir um “sim” automático por uma pausa:
“Deixe-me
verificar minha disponibilidade e retorno em alguns dias.”
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MANEIRAS DE RECUPERAR O TEMPO E EQUILÍBRIO
Estabeleça microlimites, especialmente se você trabalha em casa.
Comece cada dia devagar
Defina um cronômetro de 15 minutos dedicado à sua prática
espiritual escolhida.
Seja meditar ao sol, recitar uma oração de centramento, ler literatura devocional ou escrever poesia sobre a natureza,
você define o ritmo de funcionamento do seu corpo durante o dia.
Configure modos de foco no seu
celular
Os modos de foco, como Trabalho, Descanso e Pessoal, são ativados e desativados automaticamente em horários precisos.
Esses modos restringem quais aplicativos ou pessoas podem enviar
notificações com base nas prioridades que você definir.
(Pesquise
no Google “modo foco no celular” para obter instruções específicas para o
seu modelo.)
Inspire-se em animais de ritmo
lento
Observar caracóis, peixes-boi, preguiças e outras criaturas de
ritmo mais lento pode fornecer ideias criativas para o autocuidado.
Abandone as telas na hora das
refeições
Faça pelo menos uma refeição por dia sem olhar para uma tela.
O ideal é usar talheres e sentar-se à mesa, não comer
rapidamente na pia ou debruçado sobre o laptop.
Crie uma pausa para reflexão no
meio do dia
Analise sua lista de tarefas e avalie o que é viável.
Se olhar para a lista te causar sobrecarga, ligue para um amigo
e peça ajuda.
Crie um ritual para encerrar o
expediente
Use um temporizador automático para as lâmpadas da sua área de
trabalho.
Defina um horário para as luzes se apagarem, criando um
indicador visível de “fim
do dia”.
Diga em voz alta:
“Vou parar agora”
Essa simples deixa verbal pode funcionar surpreendentemente bem
para interromper a compulsão de continuar.
Pratique a regra de uma tela
por vez
Se você estiver assistindo a um filme para relaxar, assista
apenas ao filme.
Nada de fazer duas coisas ao mesmo tempo, a menos que seja
absolutamente necessário.
Melhor ainda, deixe seu celular e laptop em outro cômodo.
Escolha um dia por mês para
viajar devagar
Fazer um passeio de carro devagar e sem pressa, com o rádio
desligado, pode fazer maravilhas para criar uma sensação de amplitude na sua
vida.
Razões pelas quais podemos
trabalhar demais e exagerar
O excesso crônico de trabalho não surge do nada.
Muitas vezes, tem raízes nos sistemas familiares de origem.
Para muitas pessoas a compulsão por trabalhar demais não é
apenas um hábito — é uma estratégia de sobrevivência que, em algum momento, as
manteve emocionalmente seguras.
Em “Acorrentado à Mesa:
Um Guia para Viciados em
Trabalho, Seus Parceiros e Filhos, e os Clínicos que os Tratam”, o
psicoterapeuta Bryan
E. Robinson observa que os trabalhadores excessivos frequentemente
vivenciaram aprovação condicional, cuidados inconsistentes ou ambientes
emocionalmente imprevisíveis na infância, fazendo com que, na vida adulta,
associem produtividade com segurança, amor e controle.
Robinson observa que, mesmo quando se afastam do trabalho, as
pessoas viciadas em trabalho percebem que suas mentes estão ocupadas com “preocupações
mentais [sobre o trabalho], mesmo quando parecem
estar relaxando ou socializando”
Elas sucumbem a “exigências auto-impostas,
incapacidade de regular os hábitos de trabalho e uma dedicação excessiva ao
trabalho, excluindo a maioria das outras atividades da vida”.
Uma vasta literatura sobre o vício comportamental de excesso de
trabalho e de cuidar excessivamente de um ente querido revela que alguns de nós
talvez não consigamos simplesmente “escolher”
mudar.
A ajuda profissional pode nos beneficiar, permitindo-nos cuidar
melhor de nós mesmos.
AQUI
ESTÃO ALGUNS RECUROS PARA COMEÇAR:
Leia Chained to the Desk:
A Guidebook for Workaholics,
Their Partners and Children,
and the Clinicians Who Treat Them
ou Chained to the Desk in a Hybrid World:
A Guide to Work-Life Balance, de
Bryan E. Robinson, PhD.
Grupos de apoio mútuo podem oferecer tanto solidariedade quanto
ferramentas práticas.
O
Workaholics Anonymous (WA)
realiza reuniões gratuitas — presenciais, por telefone e pelo Zoom — e seu site
inclui recursos úteis para discernir se o vício em trabalho pode fazer parte da
sua história.
Procure terapeutas familiarizados com vício em trabalho,
perfeccionismo, burnout, sistemas familiares ou vícios comportamentais.
Profissionais de assistência espiritual e capelães podem
ajudá-lo a explorar questões existenciais ou baseadas em valores mais
profundas.
Uma mudança pode levar apenas
alguns minutos
Seja o excesso de trabalho algo que te afeta alguns dias ou
todos os dias, você não precisa continuar se esforçando ao máximo para
sobreviver em uma vida cheia de coisas.
Priorize o tempo para desaprender as
estratégias de sobrevivência que não te servem mais.
Acima de tudo, celebre as pequenas vitórias.
Hoje, passei cinco minutos preciosos em meditação de inverno,
olhando para o nosso quintal coberto de neve, pela janela do meu escritório.
Algumas folhas teimosas ainda tremulavam nos bordos. Debaixo
delas, vi as pegadas de bichinhos que nos visitaram na noite passada.
Em vez de contemplar o quintal como um todo, tentei olhar para
cada árvore separadamente, uma tarefa aparentemente impossível que, ao mesmo
tempo, me pareceu menos eficiente e profundamente necessária para desacelerar o
meu dia!
Sarah
Bowen, para a revista Spirituality & Health
Canal: Spirituality & Health
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