IRFAN HASSAN“A ESPIRITUALIDADE É MAIS FÁCIL DO QUE VOCÊ
IMAGINA”QUINTA FEIRA 27 AGOSTO DE 2026 A
espiritualidade não é algo que você acrescenta à sua vida agitada – é o que
resta quando você para de complicá-la.
Descubra como estar
presente, permitir e honrar as coisas comuns podem te trazer de volta a uma
sensação de plenitude e paz.
Eu
costumava pensar que a espiritualidade era algo que precisava acrescentar à
minha vida.
Achava
que se tratava de encaixar os treinos em uma agenda já lotada, na esperança de
que fizessem com que me sentisse melhor.
Tratei
esse assunto como uma vitamina – algo para que eu ficasse mais inteligente,
mais em paz ou “completo”.
Busquei
isso com a mesma energia maluca que usava para todo o resto, presumindo que, se
apenas espremesse mais uma coisa no meu dia, finalmente estaria curado.
Mas eu
estava errado.
A espiritualidade não é
algo que se acrescenta; é algo que você descobre ao se livrar de tudo que não
precisa.
A
espiritualidade estava presente o tempo todo.
Eu não
descobri isso do dia para a noite.
Aconteceu
lentamente, ao longo de dias normais, quando finalmente comecei a perceber
quanto esforço estava fazendo sem saber o porquê.
O PESO INVISÍVEL
QUE CARREGAMOS
Talvez
todos nós andemos por aí sentindo como se algo estivesse nos atrapalhando.
Às
vezes, o mundo é pesado demais para dar conta, e pode parecer que um fardo
invisível nos puxa para baixo, tornando
difíceis até as coisas mais simples.
Mesmo
em repouso, nossos corpos podem continuar tensos, em alerta para algo que possa
acontecer.
Fiquei
consciente de que carregava este fardo não quando as coisas estavam
desmoronando, mas quando estavam calmas.
Meu
corpo não se acalmava.
Meus
ombros iam parar perto das orelhas; minha respiração ficava superficial.
Minha
mente ficava ocupada, ensaiando conversas futuras.
Sentia
que precisava estar pronto para qualquer coisa, como
se ficar parado não fosse seguro.
Se eu
ficava tão tenso quando tudo estava bem, para que estava me preparando?
Por que me protegia da minha própria vida, mesmo quando as coisas
estavam em paz?
OUVINDO A
INTELIGÊNCIA DO CORPO
As
coisas mudaram para mim quando parei de tratar meu corpo como uma máquina e me sintonizei com a sabedoria
dele.
O
corpo reage aos acontecimentos muito antes do cérebro formar uma opinião a
respeito.
Ele
fica tenso quando encaramos uma suposta ameaça e relaxa quando nos sentimos
seguros.
Mas
muitos de nós ignoram isso.
Comecei
a prestar atenção aos pequenos sinais.
Percebi
que meu peito apertava quando estava com pressa.
Sentia
um peso atrás dos olhos quando fazia coisas demais.
Sentia
alívio quando abandonava as expectativas.
Ao prestar atenção a estes
sinais, percebi algo importante:
não
estava cansado por causa do que
estava fazendo; estava
cansado por causa da forma como fazia.
Eu
estava forçando meu caminho pela vida.
A ILUSÃO DA
SEPARAÇÃO
Acho que
muitas das nossas dificuldades vêm da crença de estarmos separados de todo o
resto – cada um de nós, pequenas
unidades solitárias, movendo-se por um mundo que não se importa conosco.
Nos
comparamos com os outros e sentimos que sempre temos que nos defender ou provar
que somos bons o suficiente.
Mas
quando estamos presentes de verdade, percebemos que isso não é verdade.
Às
vezes, quando simplesmente andamos, escutamos ou respiramos, a parede entre nós
e o mundo parece mais tênue.
Não vivemos sozinhos;
fazemos parte de algo maior.
E
podemos parar de nos esforçar tanto.
Abrir
mão deste esforço não é fugir da realidade; na verdade, é encontrar-se com ela.
Plenitude
é simplesmente lembrar que você não está separado de todo o resto.
PRATICANDO O PERMITIR
Muita
gente fala sobre espiritualidade como se fosse um trabalho árduo.
Dizem
para você se concentrar intensamente, disciplinar a mente e elevar a
consciência.
O
esforço tem seu lugar, mas pode facilmente se transformar em mais uma forma de
controle.
Tive que
aprender a “permitir” que as coisas
simplesmente fossem.
Permitir não é preguiça, nem apatia.
Significa
encarar o que está acontecendo sem tentar mudar a situação de imediato.
Significa
deixar os pensamentos surgirem sem persegui-los
e permitir que os sentimentos fluam sem resistência.
Comecei
a praticar essas coisas de pequenas maneiras:
permitindo
que haja silêncio em uma conversa; fazendo uma pausa antes de responder alguém;
permanecendo com uma sensação desconfortável, sem tentar explicá-la ou
justificá-la.
A princípio
pareceu estranho, porque me sentia confortável acreditando que estava no
controle.
Eventualmente,
percebi que “permitir” criava espaço.
E
naquele espaço, vi que estava forçando resultados, tentando
fazer com que as pessoas me entendessem ou resolvendo problemas que ainda nem
tinham acontecido.
Quando
parei, a simples verdade da situação ficou clara por si só:
a espiritualidade
pede apenas que você se mostre de forma honesta.
VIVER SEM UMA
CONSTANTE AUTOCORREÇÃO
Muitos
de nós vivem em uma maratona de aperfeiçoamento pessoal.
Nos
observamos como falcões.
Estou fazendo certo?
Estou calmo o suficiente?
Sou espiritual o suficiente?
Até
quando tentamos relaxar, parte de nós fica parada no canto, avaliando nosso
desempenho.
Nunca
estamos totalmente presentes porque parte de nós está sempre observando e julgando.
Parar de
me criticar parecia arriscado.
Pensei: se eu não me controlar, quem
vai?
Mas
descobri algo surpreendente: sem aquela voz negativa na minha cabeça,
me senti mais aterrado.
Fiz
as coisas com mais naturalidade.
Quando
cometi erros, fiquei curioso, em vez de envergonhado.
Passei
a confiar em mim mesmo – não para ser perfeito, mas
para lidar com o que quer que acontecesse; para entender o que está acontecendo
agora.
O SAGRADO NO
COTIDIANO
A
maioria de nós tem uma visão equivocada da espiritualidade.
Imaginamos
que a iluminação só nos visita em retiros ou em grandes eventos que transformam
a vida.
Estes momentos são bacanas,
mas não constituem a base de uma vida espiritual.
A base está nas coisas do dia a dia.
Está na
maneira como você acorda, como ouve as coisas, como
espera numa fila, como lida com a frustração e como descansa.
Está
presente nos momentos que não parecem nem um pouco espirituais.
Quando
você presta atenção ao que acontece, até lavar a louça ou caminhar para o trabalho
parece algo digno.
Você
não está apenas completando tarefas – está de fato vivendo-as.
Talvez
a vida não seja dramática, mas será mais íntima.
Quando
você honra as coisas comuns, a espiritualidade deixa de ser uma meta que você
busca atingir e simplesmente se torna a maneira como você vive.
PLENITUDE COMO
FORMA DE SER
As
pessoas também interpretam mal o conceito de “plenitude”.
Muitas
vezes, pensam que isso significa estar “completo” e que nada de difícil vai acontecer novamente.
Mas
a verdadeira plenitude inclui as coisas desconfortáveis, as incertezas e as
mudanças.
E
isso transforma a maneira como nos relacionamos com elas.
Quando
você vive a partir de um estado de plenitude, não
divide a vida em partes boas e partes ruins.
Você
acolhe a alegria e os momentos difíceis apenas como partes da vida.
Isso não
acontece de uma vez.
Requer
prestar atenção, permanecer humilde e retornar continuamente ao momento
presente.
Eu continuo perdendo a paciência.
Continuo
esquecendo as coisas.
Continuo
com pressa.
Mas
agora, estou melhor em perceber quando isso acontece e voltar ao momento
presente – não me culpando, mas sendo gentil.
Ser
gentil comigo não me livra de problemas; na verdade, me
mantém firme.
UMA
ESPIRITUALIDADE QUE PODE SER VIVIDA
O mais importante para mim agora é que esse tipo de espiritualidade
funciona na vida real.
Tem que
funcionar quando estou ocupado, quando há barulho e quando as coisas não estão
perfeitas.
Quero
que isso me ajude a ver claramente a pessoa que está à minha frente, sem o
filtro dos meus julgamentos.
Julgar
gera distância, mas estar presente na luta de alguém gera conexão.
A
espiritualidade deveria fazer com que a gente se sinta mais conectado, não como
se fossemos melhor do que os outros.
Se você
não consegue viver sua espiritualidade em um dia qualquer, ela está incompleta.
O que aprendi é simples,
embora nem sempre fácil: estar presente é mais importante do que tentar ser uma
pessoa “melhor”
E
ouvir o que realmente está acontecendo é mais importante do que forçar um
resultado.
Plenitude não vem do
esforço; vem de ser honesto.
Não
precisamos nos tornar uma pessoa nova para viver espiritualmente.
Só
precisamos parar de nos abandonar enquanto tentamos.
Quando
isso é feito, descobrimos que o que procurávamos não estava em outro lugar.
A
espiritualidade já estava aqui, esperando que a notássemos.
Autor/Canal: Irfan Hassan
Fonte:
https://www.spiritualityhealth.com/spirituality-easier-than-you-think
Fonte secundária:
https://eraoflight.com/2026/08/23/spirituality-is-easier-than-you-think/
Tradução: Sementes das
Estrelas/Mariana Spinosa
https://www.sementesdasestrelas.com.br/artigos/irfan-hassan-a-espiritualidade-e-mais-facil-do-que-voce-imagina/

