GERRIT
GIELEN“UMA
VISÃO ESPIRITUAL DO ENVELHECIMENTO DO CORPO”TERÇA FEIRA 15 SETEMBRO DE 2026 Algumas
pessoas veem o corpo como se fosse uma máquina, por exemplo, um carro.
A
analogia é pertinente.
Um
carro precisa de trocas de óleo regulares; em uma emergência, podemos precisar
de uma transfusão de sangue.
Um
carro passa por revisões periódicas; nós fazemos nosso check-up médico anual.
Os
carros têm pneus furados, nós caímos e quebramos um osso que precisa de
cirurgia.
Carburadores
e freios precisam ser trocados; o mesmo acontece com joelhos e quadris.
Vivemos
com o medo constante de envelhecer e morrer, mas
tendemos a amenizar esse medo com as soluções disponíveis, que nos iludem,
fazendo-nos acreditar que podemos escapar de ambos.
Será que
nossos corpos são apenas coisas mecânicas, facilmente consertadas com peças de
reposição?
De uma
perspectiva espiritual, o corpo é inteligente e sábio, com suas próprias
necessidades e desejos.
Ele
também está em constante comunicação conosco, uma troca energética contínua
ocorrendo o tempo todo.
Nosso
corpo é leal.
Ele
nos ajuda, nos carrega e abriga nossos fardos.
Quando
perdemos o equilíbrio, ele faz tudo o que pode para restaurá-lo.
À medida
que envelhecemos, o corpo desacelera.
No
início da sua vida, você era hábil em explorar o mundo exterior; agora, diminui
o ritmo, dando-lhe tempo para descobrir o mundo interior.
Deseja
integrar as experiências terrenas que você desfrutou à companhia da sua alma.
Na
velhice, você tem tempo para restaurar e aprofundar a conexão com a sua alma, à
medida que sua perspectiva e seus objetivos se transformam, deixando para trás
os fascínios da juventude.
A
FUNÇÃO DO CORPO EM CADA FASE DA VIDA
O corpo
humano jovem não deseja nada mais do que aprender, descobrir e desfrutar do
mundo físico.
Ele
demonstra uma energia infinita para brincar e se movimentar.
É
curioso e ávido por explorar tudo o que lhe chama a atenção no momento
presente.
Quando
crianças, somos inocentes e puros.
Não
sabemos muito sobre o mundo em que nos encontramos, mas temos um forte desejo
de descobrir.
O
momento presente, o aqui e agora, é o nosso domínio.
Experimentamos
com alegria tudo o que o mundo tem a oferecer e o exploramos ao máximo.
Quando
eu era estudante, sentia-me extremamente tenso observando o relógio marcar o
tempo até a hora da saída no final da tarde.
A
tensão aumentava a cada minuto que passava.
Eu
podia senti-la crescendo nas minhas pernas, mal conseguindo mantê-las paradas.
Finalmente,
às quatro horas, estávamos livres para sair e ir para fora, onde podíamos
correr e brincar à vontade.
Aquela
energia era emocionante, divertida e prazerosa em comparação com o que eu
vivenciava na minha carteira.
Correr,
pular e descobrir o mundo à nossa frente era tudo.
Cada
descoberta era nova e estimulante.
À medida
que envelhecemos, a energia vibrante e entusiasmada inevitavelmente diminui.
Tornamo-nos
insensíveis e estagnados ao assumirmos o manto da vida adulta.
Sabemos
como o mundo funciona, assumimos cada vez mais responsabilidades, trabalhamos e
construímos uma identidade que chamamos de “eu”, baseada em nossa personalidade e posição
na sociedade.
O corpo,
agora forte e moldado pelo mundo, não é tão presente e despreocupado.
Passou
por anos de modificações; foi treinado para permanecer imóvel no mundo; a
mobilidade diminui à medida que o enraizamento aumenta.
E então
chega a velhice.
O corpo
é diferente agora.
É
mais silencioso, o que nos permite restaurar amorosamente nossa conexão com a
alma.
Ele
nos convida a embarcar na jornada interior de volta à fonte e integrar todas as
nossas experiências de vida, curando
o que precisa ser curado.
É
disso que se trata a velhice, e é essencial alcançar essa integração.
O corpo
quer nos levar para Casa.
Quer
nos lembrar de quem realmente somos
Vivemos
inúmeras experiências em nossa vida na Terra.
Somos
hábeis em colocar as coisas em perspectiva, mais tranquilos conosco mesmos.
Desenvolvemos
uma compreensão mais profunda dos outros.
Certamente,
somos mais sábios.
O
mundo, com todas as suas lutas, dramas e notícias de última hora, nos interessa
cada vez menos.
Agora,
nos vemos de forma diferente.
Olhamos
para trás, para nossa vida, e sabemos o que defendemos, o que significamos para
os outros, o que fizemos pelos outros e pelos outros, quais oportunidades
aproveitamos e quais deixamos escapar.
Seu
corpo tenta ajudá-lo nesse processo de internalização e integração.
A
LINGUAGEM DO CORPO
Sim, às
vezes a velhice traz dores, doenças e outros males diversos.
Se
você observar essas mudanças de uma perspectiva espiritual, o corpo está
tentando lhe dizer algo importante e talvez você queira investigar mais a fundo
o que ele está dizendo.
Com o tempo,
você perceberá que há muito mais por trás dos sinais que seu corpo emite do que
aquilo que aparenta.
A
dor e o desconforto têm uma voz; eles falarão com você se você se aquietar e
ouvir.
Imagine
o que a dor aguda nas suas costas poderia lhe dizer se você perguntasse:
Por
que você está aqui?
Você tem uma mensagem para mim?
Como posso entender o que está acontecendo comigo?
No
processo silencioso do envelhecimento, seu corpo fala com você.
Ouça
com atenção.
Ele
pode perguntar:
o que você não precisa mais carregar?
O que não lhe serve mais?
Do que você tem medo?
Ele pode
estar lhe convidando a parar de fazer certas coisas e direcionar seu foco para
outro lugar.
Talvez
esteja lhe dizendo para dedicar mais tempo à conexão com sua alma e menos tempo
aos acontecimentos do mundo, ao ritmo frenético lá fora.
Reflita
sobre isso.
Como o
corpo se comunica conosco?
De
duas maneiras.
Primeiro,
com o tempo, nossos corpos se tornam cada vez mais sensíveis às energias e aos
impulsos da alma.
Pessoas
idosas tendem a ser mais sensíveis à beleza, à verdade e ao amor.
Elas
têm uma maneira mais suave de ser e conseguem acolher com mais facilidade
outras perspectivas além da sua própria.
O
corpo transmite vibrações mais sutis do que antes, que se harmonizam com a
alma, fortalecendo assim sua presença.
Segundo,
agora podemos sentir como o corpo nos sinaliza quando se aproxima demais de
energias negativas.
Elas
não ressoam mais conosco; a energia agitada, frenética e multitarefa da
sociedade moderna desgasta nossos nervos.
Ruído
e correria nos repelem porque não são úteis, não nos ensinam nada sobre nosso
verdadeiro eu.
A
frequência é muito pesada e difícil de assimilar.
Ouça e preste atenção.
Às
vezes, os “problemas
de saúde da velhice” são sinais de que as antigas formas de viver,
pensar e agir no mundo já não são genuínas.
Sentimos
que estamos prestes a mudar ou que já mudamos.
Os
problemas físicos surgem quando nos apegamos teimosamente ao que já não nos
serve.
Por
algum motivo, nos expomos a essas antigas energias e tensões negativas, que, no
fim, nos esgotam e podem causar dores e desconfortos corporais.
Se
nos agarrarmos às energias negativas deste mundo, continuarmos
a nos identificar com o passageiro e nos agarrarmos desesperadamente ao passado
não resolvido sem integrá-lo, a vida se torna cada vez mais difícil e
restritiva, resultando em uma necessidade de controle.
É mais
fácil deixar as coisas irem se permitirmos que a luz do futuro brilhe sobre
nós.
Nossos
corpos fazem o que for necessário para que isso aconteça.
Quando
aprendemos a ler e interpretar o que nossos corpos estão dizendo, damos mais um
passo em direção ao significado mais profundo das coisas, de nossas vidas e de
nossa verdadeira identidade.
Quem somos nós por trás da persona que criamos?
É
hora de remover a máscara.
Quando
sentimos dor física, pedimos a ela que revele quais energias ou experiências já
não nos beneficiam.
Essas
energias roubam nossa atenção da descoberta do nosso mundo interior, do nosso
eu interior, da nossa alma, enquanto
o nosso corpo tenta concentrar nossa atenção nelas.
O
corpo está aí para nos trazer de volta para Casa, para nos lembrar de quem
realmente somos e nos afastar da pressão e da inquietação constantes do mundo.
O
corpo é o nosso guia para uma consciência superior, um guia para um caminho que
nos leva ao reconhecimento da nossa própria luz divina.
É
a isso que o corpo se dedica.
Quando
você se desapega do que não é, você tem espaço para abraçar e reivindicar quem
você é.
Os
últimos capítulos da sua vida certamente serão um profundo processo de
despertar, uma nova jornada de descoberta.
Desta
vez, porém, você não está descobrindo o mundo exterior, mas sim o mundo
interior.
Você
está descobrindo a sua própria luz interior.
O
grande despertar interior acontece quando você se lembra disso.
Você
troca a identidade da personalidade/ego pela identidade da alma/espírito.
Então,
você chegou em casa.
ENERGIAS
SUPRIMIDAS
Nosso
corpo nos ajuda a aprofundar o contato com nossa alma quando nos distanciamos
do mundo.
Ele
também auxilia na integração de todas as experiências de vida que tivemos na
Terra.
Há
tensão entre nossa personalidade e alma, a energia mundana e a energia
espiritual.
O
corpo nos ajuda a resolver isso.
À
medida que envelhecemos e definhamos fisicamente,
nos
desapegamos de nossos bens, de tudo o que acumulamos ao longo da vida, mas não
conseguimos nos desapegar do que se acumulou dentro de nós porque temos muito
medo de encarar.
A
personalidade retém energias menos agradáveis, por assim dizer, aquelas que são
suprimidas ou reprimidas e armazenadas no corpo.
Isso
é compreensivelmente necessário até certo ponto para funcionar no mundo e
atender às expectativas e responsabilidades de um mundo agitado e corrido.
Emoções
como medo, tristeza, raiva e estresse nem sempre são reconhecidas ou sentidas;
não há um lugar seguro para expressá-las e não há tempo.
Nunca
aprendemos a olhar para dentro e dar-lhes atenção.
Nós
as reprimimos, as deixamos de lado e passamos para a próxima tarefa.
A
falta de tempo e motivação para a autorreflexão só leva a mais do mesmo.
O
corpo é muito capaz de carregar uma quantidade incrível de emoções reprimidas.
Ele
não apenas as carrega, como também as absorve.
Consequentemente,
podemos ter um ataque cardíaco, dor abdominal ou sofrer com fortes dores de
cabeça.
O corpo
finalmente perde a vontade de carregar as emoções antigas e enterradas.
Ele
não é mais responsável por elas.
Ele
quer liberá-las depois de tê-las retido por anos e anos.
Aquilo
que nos recusamos a ver ou sentir surge em nossa consciência como um convite.
Temos
o espaço e o tempo agora para curar e integrar esses excluídos antes de
morrermos.
Primeiro,
precisamos estar cientes deles, lidar com eles e colher a paz interior que se segue.
O
invisível quer ser visto.
O não
resolvido anseia por ser amorosamente aceito.
Precisamos
encontrar a coragem para encarar o que está enterrado e dizer sim a isso.
Sim,
isso me pertence.
Sim,
esse medo, raiva ou ciúme fazem parte da minha história humana.
Sim,
quero olhar para tudo e trazer à luz.
Sim,
tenho medo, mas vou acolher o que está escondido.
É hora
de me voltar para dentro e receber tudo o que surgir com amor.
O
amor-próprio incondicional é a chave para a integração.
Precisamos
amar cada momento de nossas vidas; todas as tolices, os erros, as vezes em que
magoamos os outros, as oportunidades perdidas.
Tudo
merece um lar dentro de nós; tudo nos pertence.
Olhe
para trás em sua vida com amor e compreensão, nunca
se abandone.
Com
esse tipo de amor-próprio, criamos paz interior.
Não
há necessidade de fugir e se esconder.
Estamos
nos tornando quem realmente somos ao integrar a personalidade com a alma.
Fazemos
isso amando e abraçando a nós mesmos completamente.
Olhar
para nós mesmos com amor implica total honestidade.
O amor
incondicional é uma força, não uma fraqueza.
A
VELHICE COMO DESPERTAR
Na visão
tradicional e materialista, o corpo que envelhece desenvolve doenças e
enfermidades que, em última instância, causam a morte.
A
velhice é vista como um declínio contínuo que culmina na morte.
De uma
perspectiva espiritual, o envelhecimento oferece a oportunidade de se
reconectar com a sua alma.
Você
deixa de se identificar exclusivamente com o que desaparece: seu corpo, suas
conquistas, seus bens, sua aparência, seu papel social, e passa a se
identificar com essa parte eterna e imortal de si mesmo.
No
fundo, existe uma riqueza e beleza incríveis esperando para serem descobertas,
uma luz radiante e brilhante que transcende o tempo e o espaço.
Essa
é a sua alma.
Essa
é a sua essência atemporal.
Quando
você reconhece a riqueza da sua própria luz interior e permite que ela entre,
você será capaz de reconhecer essa luz em todos os lugares ao seu redor e
cumprirá o seu propósito espiritual de envelhecer.
Quando
você consegue enxergar a sua própria beleza e substituir a persona pela
identidade da alma, você reconhecerá essa beleza também nos outros.
Você
precisa fazer muito pouco; diga algumas palavras, um
olhar nos olhos de alguém, ou sua mera presença, é suficiente para que alguém
saiba que também é pura luz eterna.
O
envelhecimento do corpo ajuda você a se lembrar da sua imortalidade.
Quando
você se identifica mais profundamente com a sua parte imortal, você
experimentará a morte de uma maneira muito diferente.
No
momento em que você realmente percebe “Eu sou a minha alma”,
o significado da finitude muda e a morte deixa de existir.
À medida que seu corpo
envelhece e você vê as mudanças no espelho, pergunte-se: o que meu corpo está tentando me mostrar?
Existe algo dentro de mim que é mais eu do que meu eu físico?
Sim.
Você não
é um corpo que está desaparecendo lentamente.
Você
é uma consciência eterna que vive temporariamente através do corpo e sobrevive
à morte do corpo.
Não
apenas um ser humano com um passado e um futuro finito, mas uma alma que
transcende o tempo e o espaço.
O
envelhecimento do corpo não traz a morte; traz a vida eterna.
Canal/Autor: Gerrit Gielen
Fonte Primária: https://www.jeshua.net/
Tradução: Sementes das Estrelas/Isamara Damasceno Branco Guennon
https://www.sementesdasestrelas.com.br/artigos/gerrit-gielen-uma-visao-espiritual-do-envelhecimento-do-corpo/


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