FRANK M. WANDERER“O EGO E O CORPO”DOMINGO 04 OUTUBRO DE 2026 Você
nasceu com um corpo, mas, em algum momento, começou
a chamar o corpo de “eu”, e essa pequena mudança pode ser a base
sobre a qual todo o ego é construído.
Em muitas tradições espirituais contemplativas e não duais, o ego é
entendido não como um objeto físico, mas como um sentido construído de
identidade separada, sustentado por meio da identificação – com o corpo,
pensamentos, memórias, papeis e história pessoal.
O
corpo não é, portanto, o inimigo; é apenas o lugar onde o sentimento de “eu sou esta
pessoa” pode tornar-se
especialmente convincente.
A
questão mais profunda não é como destruir o ego, mas quem você é quando para de
confundir tudo que vivencia com tudo que você é.
A
IDENTIFICAÇÃO QUE SUSTENTA O EGO
Imagine-se
diante de uma janela pela qual você gostaria de olhar, mas a cortina que a
cobre há muito tempo está escura, empoeirada e velha.
Essa
cortina é o ego.
Não
é algo ruim.
Apenas
atrapalha a visão.
E
quanto mais você olha para a cortina, mais você esquece que há algo por trás
dela.
O ego
não pode existir sem identificação com o corpo.
Porque
se você não é o corpo, se você não é esta forma física, se você não é seu
rosto, sua aparência ou sua condição, então quem você é de verdade?
Essa é a
pergunta que o ego não consegue suportar.
E
assim, repetidamente, ele tenta te lembrar de que “você é isto ou aquilo”, usando o
corpo como ponto de referência.
As
doenças do seu corpo, o envelhecimento dele, as imperfeições dele, seus desejos
e expectativas, tudo serve para reforçar a identificação com o corpo.
Para
fazer você acreditar que é essa forma impermanente.
E quanto mais profundamente
você se identifica com este pensamento, mais pesado fica o fardo da mente: tristeza,
ansiedade, preocupação.
O
SILÊNCIO ALÉM DO CORPO E DA MENTE
Mas isso
não é o fim.
É
apenas o começo, se você tiver consciência disso.
Pois,
quando a luz da consciência começa a brilhar por você com mais clareza, a
identificação com o corpo começa a perder a força.
Você não
sente mais a necessidade de controlar, corrigir ou aperfeiçoar todos os
aspectos do corpo.
Você
nem procura escapar dele; simplesmente reconhece que ele não é o que você é.
Você não
precisa lutar com o corpo ou superá-lo, porque tudo foi apenas um erro.
Um
mal-entendido.
E mal-entendidos não são
resolvidos com luta, mas com uma visão clara.
Quando
você descobre que não é o seu corpo e que também não é a mente, algo muda
profundamente dentro de você.
A
tensão de ter que atingir alguma coisa desaparece.
O
medo de perder alguma coisa começa a desaparecer.
E algo que até agora estava
invisível aparece dentro de você: o silêncio.
Presença
atemporal e silenciosa.
A
consciência que não tenta mudar nada, não procura alcançar nada, mas
simplesmente é.
E essa
experiência do “eu
sou” é tão natural que é quase imperceptível.
Porém,
é a única coisa que é real.
A face
da mente, que até agora pode ter sido triste, inquieta,
tensa ou orgulhosa, gradualmente começa a desaparecer.
Você
não precisa afastá-la ou melhorá-la.
Ela
simplesmente fica transparente.
E com
isso, algo começa a brilhar.
A
presença da Consciência que sempre esteve aí.
Até
agora, estava apenas obscurecida por histórias, identificações,
dores e camadas de poeira criadas pela identificação com o corpo.
É por
isso que dizemos que você não precisa rejeitar o ego, nem o tratar como
inimigo.
Na
verdade, não há nada ali além de um velho reflexo, um padrão arraigado que
começa a se dissolver no momento em que você o vê.
Ele
se dissolve pelo simples ato de vê-lo.
E
esse olhar surge daquele silêncio interior, que não faz parte da mente, mas que
é o estado natural do Ser.
A
PRESENÇA QUE TESTEMUNHA TUDO
Quanto
mais você continuar nesta presença, mais claro fica que você não precisa mais
lutar contra nada.
Apenas
continue com o que você é.
E, nessa
presença simples, tudo que antes você via como assustador ou difícil começa a
desaparecer lentamente.
Como
uma cortina que se abre, possibilitando que você finalmente veja o Sol.
Nada de
especial é necessário.
Basta
parar de olhar para a cortina.
Você não
precisa rejeitar o corpo, a personalidade ou a experiência humana para ver além
da identificação; você só precisa perceber que todas essas coisas são
vivenciadas pela consciência.
O
corpo muda, as emoções aumentam e diminuem, as identidades evoluem e, ainda
assim, existe uma capacidade simples dentro de você que continua testemunhando
tudo isso.
Esse
reconhecimento pode afrouxar o controle do ego sem exigir que você abandone a
vida normal.
Você
pode ter um corpo, um nome e uma história – mas aqueles que têm consciência
deles podem ser muito maiores do que a história em si.
Autor/Canal: Frank M. Wanderer (excerto)
Fonte: https://egoalertnessconsciousness.wordpress.com/2025/06/22/frank-m-wanderer-the-teachings-of-consciousness-to-those-on-the-spiritual-path/
Fonte secundária: https://eraoflight.com/2026/09/28/the-ego-and-body/
Tradução: Sementes das
Estrelas/Mariana Spinosa
https://www.sementesdasestrelas.com.br/artigos/frank-m-wanderer-o-ego-e-o-corpo/


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